Por que utilizar a Robótica na educação básica?


A educação se apropriou de diversas tecnologias, criou algumas outras, para utilizar nos processo de ensino e aprendizagem. Desde a Antiguidade, amolamos e burilamos pedras para fazer marcações em paredes, criamos têmperas aglutinadas com ovos de animais para pintar cavernas, com a intenção de perdurar conhecimentos, transmitir conceitos e culturas. Inventamos tecnologias educacionais fantásticas como a caneta esferográfica, o giz, o lápis (grafite), o mimeógrafo, o grafoscope, o retroprojetor.  Com a Robótica não foi diferente, pois nos apropriamos e utilizamos as polias, engrenagens, roldanas, alavancas, motores, vigas, sensores e microcontroladores, equipamentos destinados à engenharia, para contextualizar conteúdos programáticos.

Esta necessidade surgiu para promover mais concretude aos conteúdos essencialmente abstratos, situação demandada pelos próprios alunos. Pois, hoje, o estudante tem a necessidade eminente de protagonizar suas próprias aprendizagens, ele não mais admite ser mero telespectador de um processo de ensino. Este talvez seja um dos agentes motivadores à indisciplina em sala de aula.

A Robótica Educacional propicia conceituar de forma mais concreta. Os alunos têm a condição da ação propriamente dita, não porque manipulam objetos, mas porque através da manipulação eles constroem sua própria montagem, copiando, recriando, criando e programando, desta forma, o aprendente modela seus conceitos referente àquele contexto. O professor, neste processo, deixa de ser o detentor “supremo” do conhecimento e passa a ser um moderador, mediando situações de autoaprendizagem.

A tecnologia deixa de exercer um cunho de ferramenta ou instrumento, pois não mais serve como utensílio ou dispositivo intelectual utilizado para realizar tarefas. Ela precisa ser vista como um agente potencializador na construção de uma aprendizagem significativa, favorecendo às diversidades de inteligências encontradas em uma sala de aula. Há algum tempo, e ainda hoje em algumas situações, a educação favorecia dois tipos apenas de inteligência, a lógica matemática e a linguística. Os alunos dotados de outras inteligências eram e ainda são totalmente desfavorecidos.

Como a Robótica é um agente multimodal, favorece uma gama mais abrangente de inteligências, se tornando mais democrática. Um exemplo corriqueiro na utilização da tecnologia é que os alunos que atingem melhor desempenho programando e modelando Robôs, acumulam notas medianas nas avaliações da aprendizagem instrucionistas, como os testes e as provas escritas.

Com a utilização da Robótica Educacional os alunos são estimulados ao trabalho coletivo, colaborativo, com metas e tomada de decisões. De forma lúdica, apresentam, interferem, analisam e contextualizam conteúdos educativos.

O nosso objetivo principal é vincular à prática docente situações motivadoras que, através das montagens e das programações de robôs, possam potencializar condições para promover aprendizagens mais concretas baseada em experiências expressivas e inovadoras, através da autoaprendizagem, que ajudem a desenvolver habilidades e competências.

O nosso projeto surgiu com a intenção de facilitar o acesso às tecnologias, valorizando as múltiplas inteligências, mas, acima de tudo, promovendo o acesso aos conteúdos atitudinais e procedimentais através dos conceitos de moralidade, ética, valores e respeito ao próximo na perspectiva do trabalho em grupo.